terça-feira, 10 de agosto de 2010

Eu tenho inveja das Borboletas
E como não ter?!
Sempre belas, donas de um mistério
Por onde passaram antes de vir aqui?!
Pra onde vão depois que se cansarem desse lugar?!
Por onde essas belas asas foram e em quantos lugares elas podem lhes levar?!
E é isso que me encanta, a liberdade para voar, sem se preocupar,
Apenas voar.
E assim, voando, poder em qualquer lugar estar.
Por isso eu as invejo.
Queria eu poder borboletar
Queria eu poder desaparecer num voar tão lindo e delicado
Voar livre por aí e, se quiser, nunca mais voltar.



   Fico feliz que as palavras estejam voltando pra mim, tinha muito tempo que isso não acontecia, como eu disse no post anterior, eu tava sempre feliz, então a minha visão de mundo fica diferente e assim acabava não tendo motivação pra escrever.
   Vivia no meu mundinho que parecia perfeito, mas que de perfeito não tinha nada, eu tava de olhos fechados e o que eu via era criação da minha cabeça. Eu virava as costas pra realidade, os problemas nunca chegavam a mim, porque eu não permitia, e quando eu permiti veio tudo de uma só vez. Uma avalanche, sabe?! já rolei montanha abaixo, lutei durante toda essa queda pra continuar respirando, pra não deixar que me sufocasse, e não me permiti ficar presa. Consegui sair, mas não saí ilesa. E foi exatamente o que aconteceu comigo durante essa queda que me deu agora essa vontade de escrever novamente, que me fez querer passar pro "papel" tudo o que tenho sentido, fez com que as palavras viessem na minha cabeça. Como eu disse, quando estou triste, sou melhor.
   Eu tento sempre ter uma visão positiva das coisas, por pior que elas possam estar. O que eu passei recentemente me fez virar uma pessoa diferente, mudou meu ser, minha essência, isso é uma certeza. Eu, como também já disse, sou uma eterna apaixonada, mas antes eu era assim e era ingênua, inocente. Parece engraçado dizer isso, eu, com 20 anos nas costas, dizendo que era ingênua e inocente, mas é verdade, foi a minha primeira experiencia real com alguém e eu ainda acreditava em conto de fadas, acreditava no final feliz.
   Hoje eu tenho certeza que vou ter uma certa dificuldades em um próximo relacionamento, e sei que quem vai criar essas dificuldades sou eu. Porém, vendo o lado positivo de tudo, eu sei que cresci, sei que tudo o que eu passei durante esses 3 anos e alguns meses me fez evoluir como pessoa, me tornou mais forte, mais atenta, e o melhor disso tudo, eu aprendi que a pessoa mais importante da minha vida sou eu, e é assim que eu devo levar minha vida daqui pra frente, sempre me colocando em primeiro lugar.

   Sobre as borboletas, o que foi escrito sobre elas acima ainda é devido a minha nostalgia, eu queria poder ser levada pra onde eu queria estar, me afastar de Belém e da minha vida sabe?! Acho que isso me faria um bem imenso. Infelizmente nada é tão fácil assim e se fosse, talvez a gente não desse o devido valor merecido. Por isso vou continuar aqui, viajando nos meus pensamentos, onde eu posso estar onde e com quem eu gostaria de estar, isso me traz uma felicidade e uma paz momentânea que me ajuda a seguir, me ajuda a continuar. Afinal, eu preciso subir aquela montanha da qual a avalanche me derrubou, né?! É sempre bom ter algum estímulo.
   A vida é assim mesmo a gente cai, se machuca, levanta e, um dia, se recupera, e depois disso, podemos continuar...

Um comentário:

  1. "A Um Passarinho

    Para que vieste
    Na minha janela
    Meter o nariz?
    Se foi por um verso
    Não sou mais poeta
    Ando tão feliz!
    Se é para uma prosa
    Não sou Anchieta
    Nem venho de Assis.

    Deixa-te de histórias
    Some-te daqui!"
    (Vinícius de Moraes)

    Sábio Vinícius!
    Sei o que dizes. Mas acho que não acreditar mais em conto de fadas também é um pouco demais, não? Digo isso porque já tem tanta coisa no mundo pra nos desconstruir, nos tornar céticos da beleza humana. Se queres ser uma borboleta, então sejas uma. Como já lhe disse, eu conheci uma vez a mais bela delas, e como tu bem dissestes, ela voou com o vento. Ser borboleta é belo mas também parte em algum lugar, algum coração. E disso tudo:

    "AMOR

    Amor, então,
    também, acaba?
    Não, que eu saiba.
    O que eu sei
    é que se transforma
    numa matéria-prima
    que a vida se encarrega
    de transformar em raiva.
    Ou em rima"

    (Paulo Leminski)

    eu prefiro as palavras... não necessariamente rimas...

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